Reforma Tributária no Brasil: o que muda a partir de 2026 e como isso afeta o seu bolso
Entenda, de forma simples e direta, a maior mudança no sistema de impostos das últimas décadas.
Introdução
A Reforma Tributária é um daqueles assuntos que muita gente escuta falar, mas poucos realmente entendem. Não é por falta de interesse, e sim porque o sistema de impostos no Brasil sempre foi complexo, cheio de siglas, exceções e regras difíceis de acompanhar.
A partir de 2026, o país começa a colocar em prática uma mudança profunda na forma como os impostos sobre consumo são cobrados. Não é uma virada de chave imediata, mas um processo gradual que vai se estender até 2033.
Neste artigo, a ideia é explicar tudo isso de maneira simples, sem termos técnicos complicados, para que qualquer pessoa consiga entender o que é a Reforma Tributária, por que ela foi criada, o que muda na prática, quais setores podem ser mais afetados e como isso pode impactar preços, empresas e consumidores ao longo dos próximos anos.
O que é, afinal, a Reforma Tributária?
De forma resumida, a Reforma Tributária é uma reorganização dos impostos que incidem sobre o consumo de produtos e serviços no Brasil.
Hoje, quando você compra algo ou contrata um serviço, paga vários impostos diferentes embutidos no preço. Os principais são ICMS, ISS, IPI, PIS e COFINS. Cada um tem regras próprias, alíquotas diferentes e formas de cobrança que variam conforme o estado ou o município.
O resultado disso é um sistema:
- Difícil de entender.
- Caro para empresas administrarem.
- Confuso para o consumidor.
- Cheio de disputas judiciais.
A reforma tenta resolver esse problema substituindo vários impostos por poucos tributos mais simples e padronizados.
Quais impostos deixam de existir e quais entram no lugar?
Com a reforma, cinco impostos atuais serão substituídos basicamente por dois novos tributos principais.
CBS - Contribuição sobre Bens e Serviços
Vai substituir:
- PIS
- COFINS
É um imposto federal e segue um modelo parecido com o IVA, usado em outros países.
IBS - Imposto sobre Bens e Serviços
Vai substituir:
- ICMS (estadual)
- ISS (municipal)
Apesar de ser dividido entre estados e municípios, terá regras únicas para todo o país.
Na prática, CBS e IBS formam um imposto sobre valor agregado, em que cada empresa paga apenas sobre o valor que realmente adiciona ao produto ou serviço.
Qual é a intenção do governo com essa mudança?
Segundo o governo, a Reforma Tributária tem alguns objetivos principais:
- Simplificar o sistema de impostos.
- Reduzir a burocracia para empresas.
- Diminuir a chamada "guerra fiscal" entre estados.
- Tornar a cobrança mais transparente.
- Reduzir distorções entre setores da economia.
O discurso oficial afirma que a reforma não foi criada para aumentar a carga tributária total, mas para redistribuí-la de forma mais equilibrada.
Mesmo assim, esse é um dos pontos mais debatidos, porque redistribuir significa que alguns setores vão pagar mais e outros menos.
Como a Reforma Tributária será aplicada ao longo dos anos?
Um ponto importante é entender que nada muda de uma vez. A transição será longa e gradual.
2026 - Ano de início e testes
- CBS começa com alíquota de 0,9%.
- IBS começa com alíquota de 0,1%.
- Os impostos antigos continuam existindo.
- O objetivo é testar sistemas e adaptação.
2027
- PIS e COFINS são extintos.
- A CBS passa a valer integralmente.
- O IPI é praticamente extinto, com exceções.
2028 a 2032
- ICMS e ISS vão sendo reduzidos aos poucos.
- IBS vai aumentando gradualmente.
- Empresas convivem com dois sistemas ao mesmo tempo.
2033
- Sistema antigo é encerrado.
- Apenas CBS, IBS e o Imposto Seletivo permanecem.
O que é o Imposto Seletivo?
Além da CBS e do IBS, a reforma cria o chamado Imposto Seletivo.
Ele será aplicado a produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como:
- Cigarros.
- Bebidas alcoólicas.
- Bebidas açucaradas.
- Combustíveis fósseis.
A ideia é desestimular o consumo desses produtos, mas, na prática, também representa uma fonte extra de arrecadação para o governo.
Quais setores podem ser mais afetados?
Aqui está um dos pontos mais importantes da reforma.
Setores que podem pagar mais impostos
- Prestadores de serviços em geral.
- Profissionais liberais.
- Escolas particulares.
- Clínicas e consultórios.
- Salões de beleza, academias e serviços pessoais.
Hoje, muitos desses setores pagam menos imposto, principalmente por causa do ISS. Com o novo modelo, a carga tende a se aproximar da média geral.
Setores que podem pagar menos
- Indústrias.
- Exportadores.
- Empresas com cadeia longa de produção.
Isso acontece porque o novo sistema permite o aproveitamento total dos créditos de imposto pagos nas etapas anteriores.
A arrecadação do governo vai aumentar?
Estudos e projeções indicam que a arrecadação pode crescer ao longo do tempo.
As estimativas mais comuns apontam um aumento entre 5% e 10% nos próximos anos, principalmente por:
- Redução da sonegação.
- Sistema mais eficiente.
- Menos brechas legais.
Um ponto de atenção é a alíquota final. Hoje, fala-se em uma alíquota total de CBS + IBS entre 25% e 27%, o que colocaria o Brasil entre os países com IVA mais alto do mundo.
Os preços para o consumidor vão subir?
Depende do tipo de produto ou serviço.
- Serviços podem ficar mais caros ao longo do tempo.
- Produtos industriais podem ter pouca variação.
- Alguns itens podem até ficar mais baratos.
Estimativas indicam que certos serviços podem ter aumento de 5% a 15% até o fim da transição, enquanto produtos industrializados tendem a ter impacto menor.
O ponto principal é que esses ajustes serão graduais, diluídos ao longo de vários anos.
Conclusão: o que o consumidor precisa saber
A Reforma Tributária não é simples, mas o impacto principal pode ser resumido assim:
- O sistema de impostos vai mudar profundamente.
- A cobrança tende a ficar mais transparente.
- Alguns setores pagarão mais, outros menos.
- O consumidor pode sentir aumento em alguns preços.
- As mudanças serão lentas e graduais.
Entender essas transformações desde já ajuda pessoas e empresas a se prepararem melhor para os próximos anos.